Ela

12 de março de 2021, 3:45 da manhã.

Eu tenho uma quantidade grande de textos escritos; alguns, eu sequer li depois que os fiz. Todos ficam jogados no fundo de uma gaveta velha da minha escrivaninha. Eu não os publico aqui porquê os acho imaturos demais para a escrita, já que alguns eu escrevi quando tinha apenas 17 anos.

Ela

Eu comecei a amá-la no momento em que ela subiu na minha moto e saímos em direção ao que seria nosso destino semanal. Eu esqueci de amá-la no momento em que ela desceu da minha moto e disse ” até logo”. Foi a última vez que a vi, e desde então, só soube de notícias de seus feitos.

Uma vez me disseram que o racional é deixar ir. Deixar ir, às vezes é o que faz sentido a todos os percalços que norteiam uma relação. Foi o que aconteceu; ela foi, e dessa vez, parece que foi de vez, eu imagino.

Toca uma canção entre uma xícara de café e outra; agora é “To Build A Home, do The Cinematic Orchestra”.

É um tanto difícil deixar ir, quando você quer que fique, é um tanto difícil entender que aquele sorriso ainda vai assombrar o vazio imenso do quarto que não te habita.

Tento esconder isso por todos os dias dessa vida, a cada música cantada, a cada volta que eu dou só para tentar te ver. As palavras que você falou naquela noite ainda ecoam dentro desse imenso quarto vazio

Eu estava lá, e foi a última vez que estive em algum lugar. Foi no seu corpo suado, com nossos corações pulsando como se fosse a última vez, foi ali que eu me sentir bem, e era onde eu queria permanecer. Mas se eu visse você hoje, se eu visse você agora, talvez eu não fosse gostar, porquê eu saberia que você não estaria aqui pela manhã, e, até agora eu não entendo o motivo de você ter vindo aqui a noite passada se você sabia que não voltaria pela manhã

Mas o que nós éramos mesmo, se não restou nada, além de uma longa história e um coração quebrado?

– Eu não sei! disse ela com lágrimas nos olhos, em descompasso com a porta do ônibus que se fecha.

Eu não vi você partir, e isso é o que dói, já que não pude evitar. Talvez eu não quisesse, aliás, eu tinha criado uma imagem ruim de você aqui dentro. Talvez você tenha sido muito ruim para mim, ou talvez eu seja bem pior para mim. Talvez eu tenha mentido para mim sobre você, e agora eu já não posso mais voltar atrás.

Eu não a vi partir, e essa é mais uma das várias mentiras que eu tenho contado para mim mesmo. Eu queria ter evitado essa dor imensa, por isso, eu imaginava que você sempre foi muito ruim para mim. Assim, eu deixaria de gostar de você.

Talvez você tenha sido muito melhor do que eu merecia, talvez eu tenha contado uma historia difícil de acreditar, mas era assim, era assim que eu guardava meu segredo para não te amar.

Continua??

UMA LONGA HISTÓRIA

Tem um som legal tocando ao fundo, é uma canção do London Grammar – Wasting My Young Years, e eu sempre falo isso no início de algum texto. É claro, a cada 4 meses ou mais, já que não escrevo com frequência.

Ah, renovei meu estoque de charutos, e é o que me faz escrever com mais paciência. Rapidamente acendo um, ao mesmo tempo em que o meu antigo toca-discos muda de canção; agora é uma canção do Bom Iver, acho que é “For Emma”, (isso mesmo) canção encantadora, eu diria.

25 de fevereiro de 2021, 3:47 da manhã. Levanto-me da rede e me sento em uma antiga cadeira giratória, apoiando o computador na velha mesa de plástico, (daquelas de bar) involuntariamente, cruzo as pernas, e, enquanto dou uma tragada fazendo a fumaça tomar seu rumo em direção ao teto, jogo um pouco da cinza fora; “uma dose de whisky cairia bem agora”, eu pensei; e é o que faço.

A essa hora da manhã o barulho do whisky caindo no copo é ensurdecedor. Pego o copo e me perco por algum tempo a olhar para a rotação do vinil tocando “Fade Into You” da Mazzy Star. Não demoro a perceber que o copo quase cai da minha mão; desce goela abaixo, sou capaz de escutar o próprio barulho da bebida descendo…me sinto melhor agora.

Eu não queria me delongar muito, mas eu começo a escrever, e, entre uma canção e outra o sono se esvai aos poucos. Assim, eu já não tenho mais escolha, que não seja escrever.

A PROSTITUTA E O ESCRITOR

– Julia, você não parece se apaixonar por alguém, certo? todos os dias um comentário diferente sobre determinado relacionamento seu. isso parece um jogo para ti.

Disse eu, enquanto olhava nos olhos dela, mas um pouco decepcionado por dentro.

-Eu nunca me apaixono, Paulo, esse é o segredo da minha vida, é como dou sentido a ela.

Julia era uma moça de pele clara, cabelos longos e bem escuro, sobrancelha bem feita, elegante, cerca de 1,70 cm, e o sorriso…aquele maldito sorriso.

Eu era um escritor lutando contra a procrastinação, sem produzir algo há muito tempo, sem capital, e com grande pressão da editora. Meu último livro de 2002 fora um sucesso, comparado aos anteriores, que não venderam quase nada. Eu me acomodei no último livro, até que não produzia mais nada.

No fundo eu queria entrar na lista dos vários amores de Júlia. Eu tinha vontade de sentir aquele sentimento ardente do qual todos os seus amantes falavam. Foi apenas uma das vezes que eu conversei com ela. Aliás, ela sempre foi muito curta em suas palavras, mas ao mesmo tempo, sempre impetuosa em suas atitudes, e isso me deixava um pouco instigado.

– O que ela ia fazer agora? Com quem será que ela vai ficar? Eu me debrucei por horas sob a tela de um smartphone, até descobrir que eu estava apaixonado e com ciúmes de alguém que não amava nem a si mesma, como poderia amar alguém incapaz de se declarar.

Ela costumava ir a minha casa sempre após alguma briga com seus pais, de tão acostumado com o dia e a hora que ela chegava, que eu já achava ruim quando não brigava com os pais, mesmo que ela chegasse e eu estivesse dormindo.

Os pais não concordavam com seu estilo de vida, com 27 anos e ela já sabia que não queria casar ou ter filhos, ou quem sabe, seguir a vida tradicional de seu pai, que era empresário na área da tabacaria, e sua mãe, que era atriz e dona de casa nas horas vagas.

Julia nunca dizia em que trabalhava, eu já sabia, mas não queria admitir para mim mesmo.

———-12 de março de 2018, 2:26 da manhã——–

Alguém abrindo a porta. Eu nem me preocupei em levantar para saber quem era. Ela era a única, além de mim, que tinha a cópia da chave. Agora, em vez de me acordar enquanto eu dormia na sala sob algum livro, ela chegava vagarosamente, me via cochilando, me fotografava para me mostrar no dia seguinte, quando eu queria dizer que a vi chegando.

Ela entra….

-Está lendo o quê, sabichão?

-Sonho de uma noite de verão, é de Shakespeare. Respondi.

-Ele só faz merda, né? Perguntou, em pé na minha frente, enquanto olhava para o celular e digitava em um ritmo acelerado.

-Ele quem? Indago.

– O cupido, bocó, ele se parece com você, (risos) ele só faz merda e nunca flexa a pessoa certa, está sempre tendo que refazer as coisas.

Eu ri em um tom irônico, enquanto ela se sentava ao meu lado, seu perfume cheirava a pecado, daqueles que você adoraria cometer. Eu era um dos poucos amigos que ela tinha, já que a tendência era que outros se afastassem dela.

Eu parava o que estivesse fazendo a fim de ficar contemplando aquelas curvas, as linhas que o seu rosto fazia quando ela sorria, mesmo ela não estando prestando atenção. Eu tinha que dizer algo para ela. Em algum momento eu tinha que dizer o que eu pensava sobre as visitas dela, o quanto eu não queria ser apenas seu amigo. Eu tinha que dizer o quanto ansiava por sentir seu cheiro de perto, pegar em seus cabelos, tocar seus lábios, não havia nada que eu mais queria naquele momento.

Tomei a iniciativa de dizer o que sentia:

– Julia, eu preciso te dizer uma coisa.

– Pode ser amanhã? E já foi deitando no meu colo e dormindo.

-Tudo bem, tudo bem! Dizia eu, ao mesmo tempo em que lhe fazia carinho na cabeça.

Já aconteceu de vocês sentirem vontade falar algo, mas perceber que não era a hora certa? Pois é, acordamos no dia seguinte, ouvimos música, dançamos, e aquilo ainda estava entalado aqui, e talvez, não sairia dia nenhum. Ela foi para o banheiro, deixando a porta aberta. Eu, despretensiosamente, observei os movimentos de suas curvas através do box, enquanto ela passava o sabonete em seu corpo. Saí ligeiramente, para não ser observado. Eu estava disposto a dizer.

– Pode me passar uma toalha, por favor?

– Claro, só um momento. Respondi.

Entreguei-lhe a toalha e, ao mesmo tempo em que entregava eu me via tocando seu corpo, cheirando cada parte, fiquei parado em sua frente por alguns segundos, até ser espantado com um pequeno toque na testa.

– Você disse que tinha algo para me falar, não foi? Perguntou Julia.

– Eu, eu, eu. Titubeei e fingi que não lembrava o que ia falar;

 – Eu não lembro agora. Respondi

– Tudo bem, Paulo, quando lembrar, me fale. Eu já vou-me indo, ou vou ter que aguentar a briga do meu pai de novo. E já foi batendo a porta.

Fiquei sem dizer o que estava entalado. Mas eu direi na próxima vez, pensei.

15 de março do mesmo ano, 1:00 da manhã, eu nunca dormia antes de 3:00, virou um ciclo vicioso, nesse dia, especialmente.

Estou sentado em uma velha poltrona na sala, a essa hora já tinha preparado tudo, ela deve está quase chegando; separei o melhor vinho que restou na minha adega, dei uma boa penteada no cabelo, escovei os dentes e esperei. Já era tarde quando ela abriu a porta e se assustou comigo acordado e não, dormindo encima de algum livro;

– Você está estranho, o que houve com seu cabelo, e qual o motivo da casa está sem aquele cheiro de poeira nos seus livros velhos? Perguntou Julia, com os olhos arregalados.

-Eu quis mudar um pouco, não é por nada, é só para eu me sentir bem. Disse eu, enquanto colocava vinho em uma taça para ela, eu já bebia a terceira.

– Julia, senta aqui, a gente precisa conversar.

– Cara, você está estranho hoje, diz logo, o que houve.

– eu quero dizer que, esses dias que você vem aqui; eu sei que você é…

– É o quê? Falou ela, já sem paciência para tanto suspense.

– Eu sei que você faz sexo por dinheiro.

– Eu imaginei que você soubesse, você é esperto, isso é inegável. Mas não era apenas isso que você queria me falar, eu suponho. 

– Não, Julia, você tem razão, não era só isso. Quero dizer que… eu amo você, e, todas as vezes que você vem aqui eu sinto como se isso aumentasse cada vez. Eu não estou conseguindo mudar isso, eu bem que tentei, tentei esconder, não deixar tão claro. Mas quando você chega, minhas mãos gelam, eu começo a suar, o coração acelera, e, isso não é normal, ou é muito normal, eu não sei.

Ela põe mais vinho na taça, bebe de um gole só e diz:

– Você não tinha esse direito, você estragou tudo, a nossa amizade, nossa relação, você estragou tudo.

Ela se levanta, põe a taça na mesa, suas lágrimas começam a caí, seu choro é engolido pela batida violenta na porta. Aquilo foi libertador para mim, dolorido para ela. Eu era só mais um homem, mais um macho. Alguém que não poderia ter uma mulher por perto, que já pensara em satisfazer seu prazer. Foi o que ela pensou, é o que eu suponho que ela tenha pensado, e foi o que eu pensei pelas próximas semanas.

Eu me deitei naquela madrugada, liguei meu velho toca-discos, enchi a taça de vinho, até derramar, e bebi de um gole só ao som de “In a Manner of Speaking” de Nouvelle Vague.  E foi assim nas noites que se sucederam; dias após dia, eu esperava que ela fosse aparecer. No dia seguinte, eu ainda estava totalmente entorpecido pelo álcool da madrugada anterior. Eu andava pela casa, e minha única companhia era uma garrafa de whisky que descansava sob a mesa, mas não era a Julia.

Passaram-se 2 semanas desde a fracassada declaração, já não tinha mais o que comer, nem beber, eu precisava sair, tinha 12 chamadas perdidas da minha mãe, querendo saber o motivo do meu sumiço e não ter dado notícia para ninguém. Retornei a ligação, expliquei que estava envolvido em um novo projeto, e deveria continuar sumido pelos próximos dias também.

Era 30 de março, 8:00 da manhã, coloquei uma blusa de frio, meu gorro, e saí para comprar cigarros e alguma coisa para comer. Saio bem devagar, andando e olhando para o céu, a passos curtos…entro, compro as coisas e saio rapidamente. Ao longe avisto ela entrando em um táxi, me distraio por alguns minutos, enquanto aquele carro vai em direção a algum lugar.

– Era ela, era ela.

Repito várias vezes na minha cabeça.

– Mas qual a utilidade, se não a verei mais. Não há espaço para mim naquele coração de várias faces, se é que há um coração ali. Pensei.

Chego em casa, abro a porta, no chão um bilhete, escrito:

Na mesma hora, o mesmo cheiro,

no mesmo lugar, não se esqueça de me esperar.

Isso é uma ordem…

Com amor, sua hóspede...

Eu só pensei nisso o dia todo, fiquei contando os minutos, as horas, eu parecia um adolescente prestes a ganhar o primeiro beijo. Eu não me arrumei, eu fiquei do jeito que ela estava acostumada a me ver. E quando ela abriu a porta e entrou, como de costume;

– você pensou que eu não voltaria? Indagou.

– eu não sei o que dizer, Julia, eu, eu, eu, simplesmente não sei o que dizer. Você está linda. 

Ela estava com um vestido vermelho acima do joelho, seu salto lhe deixava mais poderosa e radiante. Eu não sabia o que fazer. Tinha medo de fazer algo errado e ela sair de novo, tinha medo de perder o que eu não tinha. Pela primeira vez, me sentir preso a alguém, mas não era uma prisão, era um labirinto que fazia várias voltas no mais intenso prazer.

– vai ficar aí me olhando parado igual a um bobo?

Ela tirou os saltos enquanto se apoiava em meu ombro, suas mãos tênues e leves deslizavam sob meus cabelos, ela tocou seus lábios lentamente nos meus, até que, vagarosamente, eu fui tirando as alças do seu vestido, descendo o zíper, ela pegou nas minhas mãos, soltando um leve riso

– eu quero fazer isso. Sussurou

O único barulho que escutávamos era dos nossos corações, ambos acelerados, pulsando, ambos os corpos suados. Ouvia sua respiração em meu ouvido.

Estávamos completamente imbuídos do mais fervente prazer, e foi a única vez que alguém, além do seu corpo, ganhou seu coração.

CONTINUA?

É sobre conquistar alguém, além do prazer carnal; é sobre não limitar-se por algum pré-conceito; é sobre entregar-se sem temer, sem se preocupar com o que irão dizer. Aliás, esse é o sentido de amar; amar sem limites, entregar-se e não deixar que algo te impeça de viver um grande amor.

É sobre reaprender o amor.

É sobre reaprender o sentido da vida.

É sobre você! 

Metades – Parte três.

Acordei meio atordoado, busco meu celular em algum lugar, tateando pela pequena escrivaninha; são exatamente 02h27min da manhã de 23 de junho de 2020, acendo um velho abajur que descansa sob a escrivaninha; de novo a insônia. Acho que devo ter dormido uns 30 minutos desde que deitei. Fico por alguns minutos olhando para o teto.

Pego meu bloco de notas, tento criar algo, um poema, um texto, sei lá, nem sempre tem algo a ser escrito, às vezes é só solidão mesmo. O fato de ser produtivo nessa hora me faz pensar que talvez a insônia não seja tão ruim; a gente já até se entende um pouco, eu não durmo, leio algo, escrevo alguma coisa e aceito-a com prazer. Isso é só pra atenuar o quão ruim a insônia é, já que meu corpo não descansa.

É a segunda vez que tento terminar um texto para o site, já faz um tempo razoável que eu não escrevo algo. Sabe quando as palavras não funcionam mais, quando tudo que você tem para falar não tem qualquer relevância para o seu interlocutor? O que não quer dizer que isso está relacionado diretamente com você, talvez seja apenas um fato antigo que machucou, e machuca; mesmo sem querer.

02:0h da manhã de 03 de julho de 2020, eu não dormir nem um pouco ainda, tem umas duas noites que eu fico sempre assim. Pego meus fones de ouvido, começa a tocar uma canção de uma banda chamada Manchester Orchestra, é “After the Escripture”; começa com um acorde de guitarra bem sórdido e um vocal meio padecido.

Eu me acostumei a ficar só, ainda mais durante a noite, mas acho estranho não conversar com alguém durante o dia. Um ou dois dias da semana eu saio por aí, procurando algo parecido com a felicidade, vou sem ela e volto da mesma forma. Talvez eu seja um pouco egoísta e não queira ficar só, como diria Pascal.

A solidão faz com que olhemos para dentro de nós, o que, aparentemente, não é legal; olhar para dentro de mim me faz imaginar que tudo que acredito ser não passa de mera suposição.

Uma outra história……..

06 de julho de 2020, barulho da água, pés na areia. A canção que toca é o vento entre as palhas…não existe contradição na natureza; tudo segue exatamente como tem que ser, diferente do eu lírico. O ruim de encher a cara e esperar que as coisas fiquem melhores no dia seguinte, é que elas nunca ficam; aliás, elas até pioram.

Meus pés carregam o fardo pesado da minha existência, o que pode parecer bom, já que tem alguém para carregar. Em suma, é um fardo tentar entender o que não tem como entender.

Amanhã o sol nascerá, o vento baterá na minha porta, ela estará fechada, o ar circulará pelo quarto, e, simplesmente, não haverá ninguém, eu não estarei lá, e você também não. Você não pode ficar preso para sempre dentro de si.

Um dia desses, em uma bela manhã, eu voava por aí. O raio de sol refletia entre as minhas asas, sob as árvores eu cantarolava, como se fosse meu último canto, como se eu fosse o único nesse imenso céu.

Parecia ser livre, mas eu não podia andar, não podia pôr meus pés no chão molhado, não era da minha natureza, na verdade, não era eu, eu só podia voar. Mas um dia eu caí, e fui dividido em mil pedaços pela milésima vez, e isso não é agradável, já que eu não sei mais como me consertar. Não tem como pegar as partes e juntar, isso é horrível, sabe; não ter como juntar a si mesmo.

Eu fiz o que deveria fazer, eu fui preso, e eu me despedacei, e eu já não cantava como antes.

Eu, por vezes, tentei escapar pra longe das palavras que me fazem está aqui agora digitando isso.  Por vezes, eu me imaginei sentado em um balanço, de um lado para o outro, imaginando que as coisas voltavam ao normal; mas o normal, às vezes, não é o que precisamos.

Eu sempre tento dar um tom poético à minha escrita, a esta altura devo está fracassando com minha missão. Existe uma ordem de coisas acontecendo, algo que Shakespeare chamaria de MacBeth, ou Sonho de Uma Noite de Verão; algo que representasse uma tragédia.

02 de agosto de 2020, 1h26m da manhã. Tem alguns minutos que estou aqui tentando terminar esse texto. Me vejo enchendo um copo dum whisky qualquer que encontrei aqui; acho que o álcool aflora uma certa solidão em mim.

Uma história incompleta.

 Dia 15 de julho de 2018, surpreendo-me com uma mensagem de voz que dizia:

-Ei, está tocando aquela música, “The Universe”, do Gregory Alan Isakov, é exatamente aquela que você levantava e me chamava para dançar; sabe, pode ter sido só isso mesmo; só uma dança, talvez os acordes daquela canção sejam os momentos que passamos juntos, cada acorde feito com muita dedicação e da forma mais sutil que algo já fora feito.

         -Tudo bem, mas isso soa como uma despedida, eu disse.

– Não, Paulo, não é uma despedida, é só o fim da nossa canção. Quem sabe a gente não se encontra, a gente dança outra canção, e como uma sinfonia, a gente a faz com que dure muito mais.  Enfim, era isso.

                  -Tudo bem, eu disse.  E foi só isso.

Eu fico triste quando não consigo escrever algo, eu não consigo escrever algo se não estiver triste. Há uma linha tênue entre a escrita e a tristeza. Não sei se todos os poetas escrevem cheios de tristeza, ou embriagados com qualquer whisky e uma porção de sentimentos, como estou agora.

Continuaa……

Pedras

  É sempre difícil começar a escrever algo, ainda mais pelo fato de eu ter que me esforçar muito pra não repetir nada dos textos anteriores. Puxo uma velha cadeira de plástico, sob a escrivaninha uma toalha de mesa que contrasta com a luz fria no teto; à minha frente alguns livros empoeirados; afasto-os para ter um pouco de espaço e escrever. Abro as janelas, o vento entra por minhas narinas, e nada mais importa, estou completamente tomado pela paz que a escrita me dar.

Na playlist toca um som do Dawn Golden, é “All I Want”, já a indiquei em um texto antigo. Algumas doses do uísque que descansa sob a mesa me deixa um pouco lúcido, isso parece me fazer escrever mais. Acendo um cigarro, respiro fundo, enquanto dou a primeira tragada, até soltar a fumaça, que se esvai pela janela. Tudo em perfeita sincronia, o que se complementa com o início de “last train”, também do Dawn Golden.

Hoje é a quinta vez que eu me dedico a terminar este texto; tem dias que a gente não consegue mesmo, tem dias que eu só quero deitar na minha cama, ouvir um bom som e ficar lá imaginando o que fazer no dia seguinte. Pendemos a nos acostumar com as mesmas coisas; uma questão de natureza humana, eu diria, (sem indagações filosóficas, por favor. risos).

Eu, por exemplo, acostumei a escrever ouvindo música, mas não se trata de reescrever a canção, mas de ser capaz de sentir o que ela transmite… “ahh, falando nisso, começou a tocar The Night We Met, ela me faz imaginar as pessoas em um salão, todos de roupas brancas e dançando, olhando nos olhos, a música leva-os de um lado para o outro, como se buscassem algo dentro da alma, sorrisos habitam a sala até o fim da música, é uma linda visão”.

Os dias têm sido corridos, só agora que eu pude tirar um tempinho para mim, uns dias para consertar as besteiras que faço e também para rever algumas outras para as quais não tem qualquer conserto. Eu acho mesmo que a gente precisa disso, de um tempo para descarregar os pesos, tirar o que te faz mal e de ser seu próprio psicólogo.

O problema disso tudo é que nem sempre fazemos da forma correta, somos falhos o tempo todo; por vezes, descarregamos nossas frustrações nas pessoas, e sem perceber estamos fingindo se livrar de um peso e descarregando tudo em alguém que pode ter permanecido ali até agora para nos ouvir e ajudar, nem que seja com uma palavra legal, um sorriso ao amanhecer ou gesto carinhoso; estou falando de alguém que está sempre por perto para segurar tuas lágrimas e chorar contigo quando o fardo que tu carrega estiver te enfadando.

Não há motivo para você ficar aí olhando para o nada, imaginando que poderia ter feito de outra forma, talvez fosse possível, mas talvez nem fosse pra acontecer mesmo, o inevitável é quase sempre difícil de impedi que aconteça, por isso é inevitável.

                                                       Sobre alguém:

Você me falava que o amor poderia durar uma eternidade, que como uma planta, ele é regado a cada dia para poder crescer, mas e quando mesmo assim ele morre, pode acreditar, ele nunca existiu”, disse a moça que me olhava com um olhar de desapontamento, seus olhos pareciam me comer, minhas mãos suavam quando eu a via, ela sabe que se soltar o cabelo eu me desconcerto todo, isso não é ruim, do contrário, ela corria em minha direção e isso me enchia de alegria, como se isso fosse a única coisa que importasse.

Você sabe que não pode ir, não pode fugir do que a gente tem, não pode fugir da responsabilidade de ser a razão de tudo que ainda me mantém animado, não que seja grande coisa, mas é o que eu acho que importa.

Há um espaço enorme no meu coração, uma ou duas vezes eu o preencho com um pouco de sexo, algumas doses de álcool; o álcool se parece um pouco com tua forma de transar; entorpece-me e me deixa calmo, mas tudo volta a ficar triste e escuro quando você se vai.

05 de dezembro de 2019; é a quinta ou sexta vez que tento terminar esse texto. Tem alguns dias que não escrevo no site; sinto como se fosse a única coisa que eu precisasse fazer..E é!!!

Estou aqui sentado na beira de um rio, faço pequenas anotações em um bloco de notas bem velhinho. Depois da mudança, se tornou difícil escrever em casa, por isso, venho aqui para o rio, sento sob as pedras e, como um cego, tateio palavras para jogar aqui, em companhia do meu amigo, o vento, que faz a água dançar entre as minhas mãos e movimenta as palhas do pé de buriti.

Lembro a última vez que escrevi sobre o amor, um tanto frustrante a minha história com ele, nem o procuro mais, só deixo que as coisas aconteçam no ritmo que elas devem acontecer, e tende a ser assim; sem pressa, sem caos, haverá dias de frustrações, dias em que você só irá chegar e deitar-se na cama, não terá paciência para fazer um jantar legal, abrir um vinho e curtir a companhia de quem está com você; falo dessas coisas que fazem diferença no teu dia.

Vi alguém jogando pedras no rio e esperando quantos saltos ela daria sob a água. Há quem faça isso com o seu próprio amor. Um amor após o outro, esperando que um apresente respostas diferentes para a vida, sendo que as respostas somos nós quem respondemos.

Ahhh, sobre o amor:

Há quem jogue o próprio amor fora,

há quem desista dele,

há quem nem tente tê-lo,

há quem o jogue, um após um,

como pedras jogadas na água

com mágoa, término ou separação,

há quem trate o amor com maldade,

há quem sequer tenha conhecido o amor de verdade

há quem deixa o amor e vai embora,

mas e você, quantas vezes já jogou seu amor fora??

Continua??

Metades – Part two

24 de julho de 2019, 03: 00 da manhã. 

Joguei alguns papéis sobre a mesa; “alguns já estavam lá, é claro”, outros são apenas o resultado de algumas horas tentando decorar uma estrofe de um soneto de Shakespeare. Meu apreço pela leitura desse cara é tão grande, que eu tento decorar o maior número de sonetos possível, para quando eu precisar recitar para mim mesmo, eu já tenho guardado, (risos). 

-Como parar de escrever??

   Perguntei para mim mesmo, enquanto jogava uns livros para fora da escrivaninha, abrir a janela, ao mesmo tempo em que matutava mais algum escrito na cabeça, e procurava uma música na minha playlist… ”Ahh, encontrei uma canção bem legal por lá,(Get You The Moon), é uma canção do Kina em parceria com alguém que canta maravilhosamente.

   A intenção era começar logo a escrever, mas fui levado a ficar debruçado na janela, aliás, a lua me convidava a contemplá-la; convite irrecusável, eu diria, (risos). Narrar uma coisa que você gosta é diferente, o sentimento é único, algumas coisas como o toque, o cheiro e a sensação de ter são insubstituíveis e intransmissíveis.

   Sinto que estamos perdendo um pouco da nossa capacidade de sentir. Sabe, acho que estamos fazendo ruínas de nossa própria existência, tentando encontrar sentido em certas coisas sem sentido, deixando de nos arriscar por algo que pode valer a pena.

     Não correr um risco pelo relacionamento, ter medo de errar por besteiras, transferir a culpa de algo não ter dado certo, isso é uma lástima, cara! uma grande e infortuna lástima.

Algumas pessoas dizem que não existe distância entre o amor e a dor, dizem até que ambos andam na mesma direção; estranho, eu acho.   

Já tentou escapar do amor, Paulo? Perguntou a moça que se despedia de mim, enquanto sorria  empolgantemente.  Seu sorriso harmonizava com o brilho do sol, seu cabelo era negro como a noite escura, seu último abraço foi como se ela quisesse me levar para longe.

-Talvez eu tenha tentado, e é difícil escapar de algo que te mantém vivo. Como se teu corpo quisesse te conduzir. Daí você para e não consegue decidi por vontade própria! Mas e morrer de amor para escapar dele, é possível?

-Sei como é, Paulo. Talvez, morrer de amor seja uma forma de escapar dele. Eu morreria por você, mas e se isso se tornar real, você promete que vai me deitar na terra fria e macia, enquanto me beija com os olhos fechados? Sabe, como se não tivesse doído,  talvez tenha que doer para sabermos que era amor, mas não sei se o amor dói. 

-Foi a última vez que a vi, fiz como havia prometido, tomei-a em meus braços, vaguei por dias com seu fantasma, por meio de pedras, eu podia sentir ela flutuando entre meus braços.  Eu a enterrei em meu próprio coração, próximo à sombra de uma samambaia, no leito de um rio.

-Paulo, talvez o amor tenha que doer. Respondeu a moça, em tom de despedida.

Continua??

Songs of inspiration:

Metades – Part one.

Hoje é sexta-feira, 04 de agosto de 2017, uma sexta bem comum, sabe. Geralmente as pessoas ficam bem eufóricas na sexta-feira, não em um estado de euforia irracional, acredito, elas parecem felizes, já disse aqui, a felicidade dos outros me alegra. O metrô faz um barulho enorme quando atravessa os túneis; mesmo assim eu tiro meu bloco de notas da mochila e começo a escrever partes do que você está lendo agora. 

Ponho os fones de ouvido, fico observando portas se abrirem e as pessoas adentrarem por elas, algumas apressadas, outras param seus olhos em um ponto fixo através das janelas. Olhares curiosos se interessam pelo que surge no papel e nas palavras que nascem, eu continuo escrevendo:

Você  ainda se lembra de mim, moça, naquele dia, eu estava perto da roseira, você olhava, eu sorria, você se lembra? Estávamos planejando viajar pelo mundo inteiro, mas alguém nos pegou com os mapas quando estávamos partindo. Acho que nós planejamos algo muito longe de ser alcançado. Você se lembra? 

Se por acaso tu te lembrares, lembre com carinho, lembre como se minha presença fosse possível, não como o vento que escapa pelas frestas da janela, mas como um jarro que você pode tocar e mudar de lugar, só para tornar um outro lugar mais bonito. 

Cheguei na minha estação, fecho meu bloco de notas e corro em direção a saída…. Continua….

Acordei agora, 3:46 da manhã, já é sábado. Levanto um pouco, tive um sonho confuso, saio andando e tateando uma interruptor para acender as luzes, ainda atordoado vou ao banheiro e sou acordado pelo rangido da porta, ouço movimentos nos outros quartos, ninguém acorda a esta hora; aproveito para lavar o rosto. 

Retorno para o quarto e fico pensando no que fazer, já que não tenho sono. Não poderia ser diferente; ligo o computador, as palavras começam a surgir e eu gosto disso, gosto quando as palavras surgem, vão saindo e saindo, eu simplesmente não consigo parar. 
Tudo que consigo ouvir é o barulho das teclas do velho computador sob a mesa de madeira. 

Você poderia me deixar dormir, mas se não quiser, eu permito que você me ame. Mas não se vá, não ainda, não entre na água, nós sabemos que você não sabe nadar, e eu serei obrigado a te dar meus pulmões para você respirar. 

Por quê você insiste em correr nessa direção, como se fosse imortal, como se nada te fizesse mal? Eu coloquei em um pacote tudo o que eu tinha, mas isso nunca foi o suficiente.

 

Aliás, eu continuo ou não? 

Um conto

As mudanças têm sido doloridas, confesso. Sim, eu mudei! Mas sabe, nós estamos tão apegados a algumas coisas, que se torna tão difícil nos desapegarmos delas.

Sob uma mesa de madeira, algumas panelas jogadas… eu coloco o pano na mesa e coloco louças para secar; foi  algo que aprendi com minha vó. Os livros jogados, uma velha pasta de couro contrasta com o branco da toalha da mesa.  Toca uma música ao fundo, acho que é Willie Nelson nos fones de ouvido, é uma melodia que ecoa por horas em meus ouvidos.

-Ah, conheci uma moça. Pra ser mais direto o nome dela é Bianca; dizem que o nome dela quer dizer Branca, em tradução literal, eu acho. Quando penso nela, lembro-me de uma garota caminhando em minha direção, ela sorri enquanto o vento  bate em seu cabelo e ela toda atrapalhada, tenta segurar seu vestido floral que imita a própria natureza. É uma bela imagem.

-“Tem tempo que você não escreve, é falta de inspiração?”, perguntou ela, depois de dizer que Shakespeare gostava de sofrer e que isso não combinava com sua filosofia de vida (risos) .

Eu queria ter falado que tinha algo pronto para ela, especificamente. Mas não poderia parecer estranho, não com ela. Queria ter falado que sonhei com ela esses dias, que dançávamos alegremente, ela não parecia está tão envolvida na dança, não é o tipo de mulher que dança qualquer coisa, eu acho.

Você poderia pegar na minha mão, poderia deixar eu te levar?..deixa.. eu te levo, é  só fecha os olhos enquanto nós fugimos de tudo o que concluímos de cada um, você não dança qualquer coisa, eu sei, mas dança o que eu canto. Sabe, teus olhos me falaram algumas coisas, mas eu sequer achei uma maldita caneta. Tentei pedir para que eles repetissem, mas foi bem em vão, eu acho que daria tudo que tenho só para ouvi-los falarem mais uma vez.

Acho que se eu tivesse que apelidá-la, talvez eu a chamasse de Branca. Assim mesmo, sem criatividade, (risos) mas não por falta de opção, mas porque ela é simples, é o tipo de pessoa que não pode falar sem sorrir, e isso é encantador.

Mas não é qualquer tipo de sorriso recolhido, é mágico, é um riso fácil de arrancar, como alguém que está prendendo a respiração e solta de uma vez (risos). Lembro – me de meu pai tocando uma gaita antiga logo pela manhã; o riso dela remete – me a um som que eu costumava ouvir quando era jovem, mas que parecia está bem lá no fundo, ofuscado em uma noite como esta.

Você poderia sorrir para mim, por favor, para que eu possa por alguns minutos sentir a felicidade em meu triste e amontoado coração. Mas faz isso bem de longe, para que eu não tente te beijar. Mas se eu tentar, você promete que deixa. Espero não te entristecer, mas espero que algumas dessas minhas palavras sejam as primeiras a encontrar teus ouvidos e a te tirarem um riso tímido.

Já havia alguns dias que eu não escrevia. Eu pensei em não escrever mais, por outro lado, vejo como uma forma de falar algumas coisas que ninguém gostaria de ouvir, ou simplesmente não teria paciência para tanto. Eu diria que isso me faz um bem danado. Esses dias eu voltei a encontrá-la, trocamos uma meia-dúzia de palavras e pronto, acho que no final fomos apenas um grande encontro deste pequeno mundo redondo.

Talvez eu esteja tentando me fazer acreditar que é assim, que a vida são só encontros, pessoas vão e voltam. Mas e se elas não voltarem, você disse o que deveria ter dito, escreveu um verso, uma estrofe? Aliás, você disse alguma coisa para “as Biancas” da sua vida, ou elas só passaram?

Tá, eu não acho que eu vá encontrá-la outra vez, mas eu disse; só que isso não me faz melhor que você, nem pior. Você teria feito o mesmo, se tivesse escutado ela sorrir, se sentisse teu coração querer escapar do próprio peito quando a encontrou, se tivesse imaginando vocês dois sentados à beira da praia, acompanhando o  sol se recolher na imensidão. Escrever sobre ela me fez pensar o quão raro e belo é apenas o ínfimo fato de existirmos.

Songs of inspiration

Willie Nelson – The Scientist

Gregory Alan Isacov – Universe

 

Continua ou não???

Algumas paixões!!

É tudo sobre algo: uma lágrima caída no travesseiro é sobre uma partida ou uma chegada, ou por algo que nunca partiu, tampouco chegou; os lábios trêmulos a voz rouca, ahh… elas trazem as marcas das emoções; as flores jogadas no chão são as paixões descartadas pelo desgaste do tempo, simplesmente assim. Os passos de uma paixão acabam quando já não resta motivos para o tesão. E nessa inquietude nos conformamos com certos momentos de prazer, e o sentimento fica fadado a inexistência. Sim, algumas paixões devem ficar limitadas a versos de poemas e estrofes de sonetos.

Destroços – Chapter 2

“Ahhh, é sobre encontrar em si mesmo as respostas que procura; é sobre não deixar que sua vida fique limitada ao que de ruim acontece”.

10h50m – 09 de agosto de 2018…

Me pego pensando todas as vezes sobre por onde começar, quando começar e  o que começar. E assim como na maioria das perguntas que me faço, não tenho respostas. Seguindo o roteiro de sempre, busco um som na playlist…não sei bem o que escutar, apenas quero que toque algo calmo e longínquo na minha cabeça.

Minha mesa está cheia de papéis, uma impressora antiga jogada no canto direito, chapéu jogado no chão, algumas peças de roupa jogadas pelo chão. Sim, comecei a usar chapéu; foi bem difícil aceitar no início, mas eu curtir muito. Só que acredito que é só mais uma das coisas sobre as quais eu coloquei uma vontade imensa de ter, acabei tendo e perdendo o tesão em seguida, isso é um grande ciclo vicioso, estou, “empolgantemente” tentando me livrar disso.

Estou com uma certa preguiça de escrever, mas sinto que preciso dizer algumas coisas para mim; é sempre assim, as palavras vão saindo e criando algum sentido para mim, não de uma foma que eu consiga explicar, mas saem devagar, como o canto do pássaro pela manhã, como o vento que anuncia a chuva e  sacode o cabelo. Acho que não é assim que os escritores escrevem; incessantemente, sem ter noção do que escrevem ou do que querem transmitir. Pois bem!!! Não sou um escritor.

Quando você me disse que cada simples coisa iria ficar bem, eu acreditei, foi só uma questão de tempo e você saiu, saiu sem mais, sem dizer nada. Eu voltei para o lugar de onde não deveria ter saído, porque você era tudo que eu tinha, tudo o que eu tinha.  Nós terminamos de dar uma foda e… bem.. eu não confio mais em você, eu não tenho mais você. E se havia um plano que fizemos juntos, destrua-os, assim como destruiu a mim.

Tenho desistido de algumas coisas. Talvez esta não seja a palavra certa; na verdade, acho que estou dando prioridade ao que me faz bem. Talvez eu estivesse “namorando” algo que me matasse por inteiro, e aquela sensação de me afastar de  algo que fazia mal me mantém “vivo”. É uma sensação boa a de que está convencido de que salvar a si mesmo é a melhor escolha.

2h40m – 12 de agosto de 2018…

Acordei agora, não consigo pegar no sono já tem algum tempo. Acordo e fico tateando algo para reclamar na minha mente. Levanto da cama, saio pelo corredor do apartamento escuro. Você já parou para pensar o quão triste e solitário é um anel em uma xícara de café frio? Fico imaginando o que seria de nós sem segundas chances. Estaríamos todos sozinhos e inseguros em algum lugar, imaginando como preencher nossas vidas “cheias de nada e vazias de tudo”. É..eu gostei dessa frase. “Risos”.

15h40m – 17 setembro de 2018…

 Achei uma velha ampulheta jogada dentro de uma caixa de sapatos, lembro que a comprei em um antiquário aqui perto de casa, já faz uns 4 anos, mais uma da série de coisas que guardo, caso eu precise algum dia.

São dias frios, eu acho, ou é só minha solidão se acomodando com minha alma. Parece um bom encontro, a alma e a solidão. Imagino a solidão dançando  com a alma sob uma chuva, quando na verdade, ela não está dançando com ninguém além de si mesma.

Algumas pessoas dançam sob a chuva, sabe, algumas pessoas dançam sob o sol, algumas estão entorpecidas pela paz que se cala em seu corpo, outras dançam com a solidão que se regozija em seus braços. É uma perfeita alusão de amor. Talvez o amor esteja aí, vagando de um lado para o outro, até ser encontrado, talvez você esteja procurando no lugar errado, talvez você não esteja sequer procurando.

Peguei o trem pela manhã, o barulho gritante do vento que acompanha a velocidade de nossas preocupações e de nossas falas ofuscam meu pensamento, sequer consigo pegar meu bloco de notas na mochila. Tem dias que não tem mesmo como evitar o ócio.

Cheguei a conclusão de que pertencemos a vários lugares, vejo isso no riso das pessoas, ao se despedirem, nos abraços, olhares e nos presentes. Mas se de alguma forma nós pertencemos a um só lugar, nos limitamos a algo que poderia ser mais intenso. Aliás, a intensidade é a maior manifestação de amor entre as pessoas, diferente da alma que não pode sentir amor pela solidão, já que, talvez ela não exista; nós sentimos….sentimos, mas quando sentimentos ultrapassam nossa razão, nos tornamos leves, sensíveis e subestimados.

Você consegue sentir algo enquanto ler isso, ou só está aqui tentando preencher seu vazio com algo triste e solitário? Pois bem, talvez a solidão não exista, talvez isso seja confuso para você entender, e por isso, prefere deixar do jeito que estar, para não continuar criando  expectativas de que alguém possa aparecer e te ajudar a livrar-se da solidão.

Não, você não vai encontrar, não há ninguém aqui, não há. Talvez uma pequena esperança que te move a tentar encontrar, talvez uma pequena saída pela porta do quarto. Mas não existe nada nem ninguém, além dessas palavras e você, palavras criadas por você. Aliás, você é a única razão destas palavras existirem.

Eitaa, passou uma hora na ampulheta, e nós não temos mais tempo.  Se cuida.

Songs: The Universe

Artist:  Gregory Alan Isakov.

 

 

Destroços – Chapter 1

-“Já é agosto”, pensei, enquanto lia um trecho ‘dum” livro da Agatha Christie e esperava meu café. “Seu café já está pronto, senhor”, disse a moça da cafeteria…obrigado, respondi.

Saio rapidamente por uma porta no fundo do corredor, que faz um barulho irritante, pego o elevador para o 10º andar, abro a persiana, a luz do céu entra pela sala, enquanto lá embaixo os carros passam incessantemente, os prédios formam a paisagem e, até são bonitos, “para quem gosta de concreto”. Sento, arrumo as coisas que estão espalhadas pela mesa, bem devagar eu vou tateando palavras para montar um parágrafo de algo.

Esses dias eu joguei algumas “velharias” no lixo, vinis antigos e arranhados…sim, eu tenho vinis, alguns de música clássica, outros de músicas que, possivelmente, minha mãe gostaria de ouvi-las. Havia também umas fotografias, nunca gostei de fotografia. Aliás, fotografias não são bem uma de minhas preferências.

Elas são sempre lembranças, tudo que se viveu estão lá, em um pedaço de papel. Essas fotografias me fazem parecer um grande mentiroso, e elas sorriem enquanto eu as queimo.

Gosto de coisas diferentes; aliás, gosto de pessoas diferentes, aquelas que conversam sobre tudo e das quais eu consiga ver os olhos, eu gosto de olhar nos olhos e mensurar como seria se elas estivessem sorrindo. risos.

Acredito que o sorriso pode mostrar algo além de um simples sinal de alegria. Vejo alguns sorrisos e fico tentando desvendar a pessoa e, quanto mais vivo e mais sincero for o sorriso, você pode sentir o quão linda e pura é a alma.

Já acostumei a escrever em casa, é um tipo de refúgio que eu mesmo o fiz, principalmente à noite. Há quem diga que as palavras soam melhor durante a noite. É uma perfeita acepção, já que a noite é mais solitária e só se torna bela com a luz da lua.

-Então, eu pretendo enviar para você as minhas pequenas palavras, pretendo enviar do canto de meu triste e solitário quarto. No entanto, por mais que eu as escreva sob a luz do dia, me prometa que irá lê-las sob a luz da lua.

Esses dias eu a vi, ela parecia triste, queria te dizer isso, mas aquele foi todo amor que eu pude te dar, foi tudo que eu pude fazer, eu dei tudo de mim, mas tudo de mim não foi nada. Nós tentamos tanto manter algo como é, tentamos manter tanto algo que não tem como permanecer. Eu tentei contar quantas vezes eu quis fazer isso de novo. Mas foi todo amor que eu pude te dar, isso foi tudo.

Mas e se isso machucar, vai doer pra caramba, mesmo assim, por favor, venha, eu sei no que isso vai dá, eu conheço bem meus destroços, sei em quantas partes irei ficar e você é uma delas. Eu estou em ruínas, assim como você. Se você vier, direi as palavras que não disse.

Aquele foi todo amor que eu pude te dar!